sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

3EM: Pré-Modernismo :: Euclides da Cunha

Leia a seguir trechos destacados de um artigo sobre Euclides da Cunha e Os sertões e, em seguida, identifique conexões entre as ideias desses trechos e as duas passagens de Os sertões reproduzidas na sequência.

CRÍTICA

[...] Sabe-se que a visão de mundo do homem que chegou no alto-sertão da Bahia, com a incumbência de noticiar para um periódico sulista os derradeiros momentos do massacre dos sertanejos de Antonio Conselheiro, estava profundamente mergulhada nos pressupostos e preconceitos advindos do credo cientificista, isto é: evolucionismo, determinismos climático e biológico e, de uma forma mais geral, do positivismo. Por esse caminho, o conceito de sertão era compreendido da forma mais pejorativa possível, desqualificando a terra e a humanidade a ela relacionada, reconhecendo neles a impossibilidade de qualquer desenvolvimento rumo à civilização. Euclides, como boa parte dos intelectuais contemporâneos, compartilhava destas ferramentas mentais que possibilitavam uma maior compreensão da realidade do País. O sertão era percebido como território da barbárie, tal como o conceberam, na primeira metade do século, a elite imperial e o olhar estrangeiro, marcadamente ilustrado. A ideia de sertão sintetizava a representação do outro indesejado e distante, símbolo daquilo que não se poderia conceber como nacional. [...]

Todavia, a opção pelo sertão, convivendo com a crença na civilização e no progresso, tornava a consciência do homem angustiada e sombria, e projetava reflexões que não poderiam deixar de expressar tais tensões. [...]

Sem sombra de dúvida, ecoava nesse momento no pensamento de Euclides um clima de devoção à nação republicana, lutando contra a monstruosa ameaça do núcleo monarquista dos fanáticos sertanejos. Sabe-se, porém, que a imagem de Canudos, esse monstro terrível foi na verdade uma construção feita e alardeada através da imprensa das capitais litorâneas, principalmente a partir da pregação dos devotos jacobinos. Raoul Girardet expôs perfeitamente o poder das mitologias políticas que atuam no plano do alarde conspiratório, em que imagens e informações são construídas e manipuladas por grupos interessados no controle do imaginário. O arraial do Conselheiro seria a tradução da barbárie, a perfeita encarnação do mal. Neste sentido, o pensamento de Euclides se alinha com a ideia de sertão que se tinha naquele momento ao nível do senso comum. Daí, portanto, a importância de Euclides da Cunha, pois seu livro é, acima de tudo, profundo exame de consciência, não só individual, mas possivelmente coletiva. [...]

Nos três pontos em que a narrativa do livro está encadeada, percebemos tacitamente as construções imaginárias, inicialmente de uma espacialidade nacional, em seguida o estabelecimento de um tipo étnico que encarnasse a nação, o sertanejo, e enfim, no momento da luta, o conflito mais grave que é o reconhecimento de que, grosso modo, a República, elemento que até então simbolizava de alguma maneira a ideia de nacionalidade, na cabeça do jornalista Euclides da Cunha presente no ocaso da tragédia, acabou sendo o algoz dos que são os primevos e essenciais brasileiros. [...]

O certo é o seguinte: se pelo caminho da ciência do século XIX, Os Sertões encontra-se preso às amarras de uma visão de mundo marcada por avaliações negativas sobre a terra e o homem do Brasil, pelo caminho do simbolismo mítico, com um substrato essencialmente romântico mesmo não declarado, mas parte integrante do imaginário de sua geração, ele supera os preconceitos e institui novas interpretações às teorias cientificistas vulgarizadas na época. O sertanejo é forte porque conjuga na sua constituição histórica alguns fatores singulares: a reação ao meio arredio, a purificação existencial, resultado do martírio secular da terra e do isolamento de sua formação sócio-histórica e, o mais importante de tudo, encarna, de certa forma, como fruto de uma concepção romântica presente no livro, o estereótipo do bom selvagem rousseauniano. Os Sertões, mais do que um livro em si, é o melhor exemplo da consciência partida de uma geração na busca de sua identidade de povo e nação. Se em 1897 Euclides da Cunha chegou ao arraial de Canudos como mais um repórter, preso às visões civilizadas do litoral sobre o sertão, o confronto com a trágica realidade dilacerou internamente o escritor, transformando o livro em um manifesto a favor da memória dos heróicos seguidores do Conselheiro, afirmando a existência de uma brasilidade sertaneja, como algo essencial à formação histórica do Brasil. [...]

Euclides foi alguém que depositou todas as suas esperanças na razão e na ciência do século de Marx, Comte, Darwin e Spencer; e quis, com estas certezas, interceder e transformar a realidade do País, fazendo com que trilhasse o rumo do progresso e da civilização. Mas sabemos que seus sonhos e esperanças mais concretas se evaporaram como água em pleno ar. Para ele conviver com o fardo dessa derrota na consciência foi algo extremamente dramático. O grande filósofo e historiador das religiões Mircea Eliade, numa passagem extremamente feliz, afirmou que “um homem exclusivamente racional é uma abstração; jamais o encontramos na realidade”, pois a experiência humana está mergulhada num universo de sonhos, mistérios e simbolismos onde a fronteira entre o racional e o irracional pode ser muito mais tênue do que pensa a filosofia ocidental. De certa maneira, cabe a menção à crítica filosófica que Albert Camus fez à ciência moderna em Le Mythe de Sisyphe, onde diz que “toda ciência desta terra não me dará nada que possa assegurar-me que este mundo é meu”. Euclides da Cunha, a quem devemos celebrar sempre pela obra e pelo exemplo de empenho em encontrar soluções que conduzam a um país melhor, à sua maneira vivenciou intensamente o significado trágico desta sentença.

A angústia com sua vida e seu país tomavam conta da mente do escritor, e o homem só via tristeza nas situações que o cercavam. O casamento infeliz, a insatisfação com a profissão e as constantes dificuldades financeiras que, não poucas vezes, o forçavam a trabalhar a contragosto, tornavam para ele a vida um grande martírio. O sertão, o interior, o coração das terras — onde há calma, repouso e paz para o espírito — surgia à sua imaginação como a única possibilidade de felicidade e superação da condição de simples mortal. A nação que não era agravada em sua consciência de ex-mosqueteiro, o sentimento de derrota — que não foi só seu, diga-se de passagem, foi de toda uma geração. Mas ele, muito mais que qualquer outro, exilado na solidão de si mesmo, não teve outra saída senão sonhar com uma salvação, individual e, por vezes, coletiva, a esperá-lo lá onde o Brasil é profundo, nalguma vereda deste grande sertão.

(extraído de: OLIVEIRA, Ricardo de. Euclides da Cunha, Os Sertões e a invenção de um Brasil profundo. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 22, n. 44, p. 511-537, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882002000200012&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 10 Fev. 2017)


TRECHOS DE OS SERTÕES

Abramos um parêntese...

A mistura de raças mui diversas é, na maioria dos casos, prejudicial. Ante as conclusões do evolucionismo, ainda quando reaja sobre o produto o influxo de uma raça superior, despontam vivíssimos estigmas da inferior. A mestiçagem extremada é um retrocesso. O indo-europeu, o negro e o brasílio-guarani ou o tapuia, exprimem estádios evolutivos que se fronteiam, e o cruzamento, sobre obliterar as qualidades preeminentes do primeiro, é um estimulante à revivescência dos atributos primitivos dos últimos. De sorte que o mestiço — traço de união entre as raças, breve existência individual em que se comprimem esforços seculares — é, quase sempre, um desequilibrado. Foville compara-os, de um modo geral, aos histéricos. Mas o desequilíbrio nervoso, em tal caso, é incurável: não há terapêutica para este embater de tendências antagonistas, de raças repentinamente aproximadas, fundidas num organismo isolado. Não se compreende que após divergirem extremadamente, através de largos períodos entre os quais a história é um momento, possam dous ou três povos convergir, de súbito, combinando constituições mentais diversas, anulando em pouco tempo distinções resultantes de um lento trabalho seletivo. Como nas somas algébricas, as qualidades dos elementos que se justapõem não se acrescentam, subtraem-se ou destroem-se segundo os caracteres positivos e negativos em presença. E o mestiço — mulato, mamaluco ou cafuz — menos que um intermediário, é um decaído, sem a energia física dos ascendentes selvagens, sem a altitude intelectual dos ancestrais superiores. Contrastando com a fecundidade que acaso possua, ele revela casos de hibridez moral extraordinários: espíritos fulgurantes, às vezes, mas frágeis, irrequietos, inconstantes, deslumbrando um momento e extinguindo-se prestes, feridos pela fatalidade das leis biológicas, chumbados ao plano inferior da raça menos favorecida. Impotente para formar qualquer solidariedade entre as gerações opostas, de que resulta, reflete-lhes os vários aspectos predominantes num jogo permanente de antíteses. E quando avulta — não são raros os casos — capaz das grandes generalizações ou de associar as mais complexas relações abstratas, todo esse vigor mental repousa (salvante os casos excepcionais cujo destaque justifica o conceito) sobre uma moralidade rudimentar, em que se pressente o automatismo impulsivo das raças inferiores.

(extraído de: CUNHA, Euclides da.; GALVÃO, Walnice Nogueira. Os sertões: edição crítica. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 174-175)

A entrada dos prisioneiros foi comovedora. Vinha solene, na frente, o Beatinho, teso o torso desfibrado, olhos presos no chão, e com o passo cadente e tardo exercitado desde muito nas lentas procissões que compartira. O longo cajado oscilava-lhe à mão direita, isocronamente, feito enorme batuta, compassando a marcha verdadeiramente fúnebre. A um de fundo, a fila extensa, tracejando ondulada curva pelo pendor da colina, seguia na direção do acampamento, passando ao lado do quartel da primeira coluna e acumulando-se, cem metros adiante, em repugnante congérie de corpos repulsivos em andrajos.

Os combatentes contemplavam-nos entristecidos. Surpreendiam-se; comoviam-se. O arraial in extremis, punha-lhes adiante, naquele armistício transitório, uma legião desarmada, mutilada, faminta e claudicante, num assalto mais duro que o das trincheiras em fogo. Custava-lhes admitir que toda aquela gente inútil e frágil saísse tão numerosa ainda dos casebres bombardeados durante três meses. Contemplando-lhes os rostos baços, os arcabouços esmirrados e sujos, cujos molambos em tiras não encobriam lanhos, escaras e escalavros — a vitória tão longamente apetecida decaía de súbito. Repugnava aquele triunfo. Envergonhava. Era, com efeito, contraproducente compensação a tão luxuosos gastos de combates, de reveses e de milhares de vidas, o apresamento daquela caqueirada humana — do mesmo passo angulhenta e sinistra, entre trágica e imunda, passando-lhes pelos olhos, num longo enxurro de carcaças e molambos.

Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma arma, nem um peito resfolegante de campeador domado: mulheres, sem-número de mulheres, velhas espectrais, moças envelhecidas, velhas e moças indistintas na mesma fealdade, escaveiradas e sujas, filhos escanchados nos quadris desnalgados, filhos encarapitados às costas, filhos suspensos aos peitos murchos, filhos afastados pelos braços, passando; crianças, sem-número de crianças; velhos, sem-número de velhos; raros homens, enfermos opilados, faces túmidas e mortas, de cera, bustos dobrados, andar cambaleante.

(extraído de: CUNHA, Euclides da.; GALVÃO, Walnice Nogueira. Os sertões: edição crítica. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 566)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

2EM: Texto para exercício com substantivos

Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;
Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros;
Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.
Onde vai a afouta jangada, que deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande vela?
Onde vai como branca alcíone buscando o rochedo pátrio nas solidões do oceano?
Três entes respiram sobre o frágil lenho que vai singrando veloce, mar em fora.
Um jovem guerreiro cuja tez branca não cora o sangue americano; uma criança e um rafeiro que viram a luz no berço das florestas, e brincam irmãos, filhos ambos da mesma terra selvagem.
A lufada intermitente traz da praia um eco vibrante, que ressoa entre o marulho das vagas:
— Iracema!
O moço guerreiro, encostado ao mastro, leva os olhos presos na sombra fugitiva da terra; a espaços o olhar empanado por tênue lágrima cai sobre o jirau, onde folgam as duas inocentes criaturas, companheiras de seu infortúnio.
Nesse momento o lábio arranca d'alma um agro sorriso.
Que deixara ele na terra do exílio?
Uma história que me contaram nas lindas várzeas onde nasci, à calada da noite, quando a lua passeava no céu argenteando os campos, e a brisa rugitava nos palmares.
Refresca o vento.
O rulo das vagas precipita. O barco salta sobre as ondas e desaparece no horizonte. Abre-se a imensidade dos mares, e a borrasca enverga, como o condor, as foscas asas sobre o abismo.
Deus te leve a salvo, brioso e altivo barco, por entre as vagas revoltas, e te poje nalguma enseada amiga. Soprem para ti as brandas auras; e para ti jaspeie a bonança mares de leite!
Enquanto vogas assim à discrição do vento, airoso barco, volva às brancas areias a saudade, que te acompanha, mas não se parte da terra onde revoa.
(ALENCAR, José. Iracema. cap. I)

quinta-feira, 31 de março de 2016

2EM: Texto enciclopédico

Atividade individual de produção de texto, para avaliação dos seguintes objetivos de aprendizagem:

[Obj.03]: Planejar, produzir, revisar, avaliar e editar textos, levando em conta o gênero e seu contexto de produção, estruturando-os de maneira a garantir a relevância das partes em relação ao tema e aos propósitos do texto. [8,0 pontos]

[Obj.05]: Escrever de modo correto palavras de uso frequente, inclusive no que diz respeito à acentuação. [2,0 pontos]

Elabore um verbete para enciclopédia intitulado Sistema de avaliação do Colégio Notre Dame.

Retome as características de estrutura e linguagem desse gênero textual no livro de Produção de Texto, Módulo 5, capítulos 1 e 2.

Produza o texto em Word e, ao considerá-lo finalizado, cole-o como comentário a esta postagem do blog. Na primeira linha do comentário, identifique-se, informando seu prenome e número.

O texto deve ter de 1.500 a 2.500 caracteres (cerca de uma página do Word, se usado corpo 12 e espaço entre linhas 1,5).

Prazo: quinta-feira, 31/3/2016, 16h20.

quinta-feira, 10 de março de 2016

2EM: Resumo

Ombudsgirl

Roseli Fischmann

Isadora Faber, de 13 anos, aluna de escola pública de Florianópolis, ao criar o Diário de Classe no Facebook trouxe oportunidade de aprofundamento ao debate sobre a qualidade da educação. Usualmente restrito, na mídia, a resultados de Saeb, Prova Brasil, Ideb, indicadores quantitativos que se tornaram familiares a todos, a jovem apontou o papel do desenvolvimento crítico na sua formação como componente dessa qualidade.

Permite, assim, a análise de direitos entrelaçados ao direito à educação. Por exemplo, o direito à liberdade de consciência e o direito à liberdade de expressão. Se para os professores o tema da liberdade de cátedra é incontestável como espaço da liberdade de expressão docente, para os estudantes o tema, embora crucial, não é simples. E o caso de Isadora é exemplar.

O direito à liberdade de consciência implica o direito à formação dessa consciência. Ou seja, é preciso nutrir à consciência, que não se faz sozinha, do nada. Para os que têm oportunidade de estar junto a crianças e jovens, o perigo é a atração pela facilidade de doutrinar, que não guarda nenhuma relação com alimentar consciências, mas com o abandono da ética e das possibilidades democráticas.

A história dos autoritarismos vividos no Brasil, apoiados por processos de doutrinação na escola e na propaganda pública (como o DIP de Getúlio Vargas), marcou a mentalidade da sociedade e deixou uma herança pesada para a escola, que não está lavrada em papel, mas nem por isso é menos atuante.

Se as condições materiais de trabalho nas escolas públicas muitas vezes deixam tanto a desejar, como Isadora deixou às claras, afetando a atuação de cada docente, as marcas do passado também dificultam que seja melhor o trabalho educativo. Observe-se a primeira reação da escola, a de chamar os pais de Isadora para sinalizar os riscos de que a menina continuasse com seu Diário de Classe. Calada e omissa, seria acolhida. Crítica, inconformada e informando o público, era vista como ameaça e, portanto, naquela ótica, merecendo a resposta da retaliação, além de destiná-la, o quanto possível, ao ostracismo no interior da instituição.

Se, por um lado, no Brasil, é crônica a falta de prática de prestar contas do que se faz com o bem público, com transparência, (a mal traduzida accountability), por outro o quadro está mudando. A criação da Comissão da Verdade, ou as transmissões de julgamentos do STF, como o agora em andamento, sinalizam que, à imperiosa necessidade republicana de transparência e correção para os atos públicos, soma-se o direito da sociedade de ser informada de maneira adequada, em tempo real, na sua relação com o Estado. A educação pública é fundada na escola pública, mas vai além, porque é continuada e para toda a vida. Cada um que pode testemunhar a forma como sofrerão consequências os que agiram à margem da lei, desrespeitando o bem público e violaram direitos, recria-se como cidadão em sua cidadania, ao ver a história do País sendo redirecionada pela via da Justiça, do Estado em processo de reflexão e reconstrução. A prática efetiva da Justiça é educativa.

A consciência de Isadora, ao afirmar que a escola pública é paga, sim, pelos que a utilizam, por meio de impostos, sabendo que deve, por isso, cobrar dos governantes, é alvissareira, indicando novos tempos. As redes sociais e, de modo mais amplo, a popularização da internet, trazem novos elementos com os quais a escola ainda não sabe lidar, chegando mesmo a sentir-se frente a dilemas cada vez que surge algo inusitado.

A divulgação de casos dramáticos em que a rede foi usada para fins de violação de direitos de crianças e adolescentes vê-se substituída pela possibilidade do uso construtivo de tão relevante ferramenta. São ainda incipientes as pesquisas a respeito desse importante fenômeno contemporâneo, em especial na forma como atinge crianças e jovens. No caso de Isadora, demonstra um potencial rico, de formação de consciência para muitos e de exercício de liberdade de expressão que não poderia transformar-se, por seu mérito, em ocasião de represália violadora de seus direitos.

A prática de levar a público sua opinião e expor-se, enquanto expõe a realidade escolar em que vive, significa não apenas o exercício e a busca de solução, mas ao mesmo tempo, pela dimensão da publicidade, um paradoxal risco seguro. Porque quantos mais tomaram conhecimento de seu Diário, mais protegida Isadora ficou de que lhe infligissem qualquer arbitrariedade. Habilmente a Secretaria de Educação entrou em campo, amparando a escola e sua diretora, procurando mediar o alegado "dano à imagem" da escola, que nada mais era que a expressão efetiva do que ali se passava. A comparação a um tipo de "ouvidoria", proposta pela secretaria, indica abordagem mais adequada que protege a escola, mas não garante o cotidiano da menina, cujos méritos são tão notáveis quanto o apoio que seus pais lhe deram, mas que pede ainda proteção. Para demonstrar que efetivamente encara Isadora como ouvidora, já que ouvidores ou "ombudsmen" sempre têm garantias em relação ao que fazem e a sua segurança pessoal, a secretaria precisa apoiá-la e valorizá-la. Isadora - felizmente - tem a palavra. Ficamos à espera. 

(FISCHMANN, Roseli. Ombudsgirl. O Estado de S. Paulo, 2 set. 2012)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

1EM: Biografia

Este texto será produzido por toda a turma. Cada um dos alunos assumirá um dos papéis abaixo indicados, para redigir a

Biografia não autorizada de Josclesom Silva

1ª Etapa: O que todos já sabem ou devem saber

A biografia oficial de Josclesom Silva, riquíssima em detalhes, encontra-se em http://deslogado.blogspot.com.br/2013/10/1em-biografia-producao_22.html; na página, façam a busca por “Biografia de Josclesom”.

2ª Etapa: Revelando novos talentos

5 alunos serão biógrafos, tendo a missão de coletar, com as testemunhas (ou seja, todos os outros colegas), informações sobre um dos períodos da vida atribulada do biografado, redigir essa parte da biografia e publicá-la como resposta a esta postagem (os textos não precisam ser publicados na ordem cronológica dos fatos narrados). Os períodos da vida, com suas testemunhas, são apresentados a seguir.

3ª Etapa: Descobrindo testemunhas onde ninguém poderia imaginar

[Período 1] Primeira infância e vida em família
3 testemunhas: pai, mãe e irmã mais velha

[Período 2] Vida na escola
3 testemunhas: dois colegas que praticavam bullying com o biografado e uma colega que, apaixonada por ele, nunca se declarou

[Período 3] Fase profissional
3 testemunhas: chefe e dois colegas do único emprego do biografado

[Período 4] Primeiro acidente
2 testemunhas do primeiro acidente, cada uma com seu ponto de vista peculiar

[Período 5] Segundo acidente e morte
2 testemunhas do segundo acidente, cada uma com seu ponto de vista peculiar

Cada período da vida deve ter de 20 a 30 linhas no Word (em Arial, corpo 12).
Os textos devem ser publicados aqui, como comentários a esta mensagem, até 5/11/15.
Ao publicarem o texto, usem o título relativo ao período narrado e escrevam em seguida: por nome do aluno, a partir dos testemunhos de nome do alunonome do aluno e nome do aluno.

Bom trabalho!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

EF II: Trabalhos elaborados nos projetos de leitura

6EF

Ilíada e Odisseia: powerpoints

6EF_Arthur-Gregorio-JuliaV-Marcela [Poseidon]
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnUENUNkNnVWNVSU0/view?usp=sharing

6EF_Clara-Luana-Maria Clara-Yasmin [Atena]
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnOEV6VTYwZkNpcFU/view?usp=sharing

6EF_Fernanda-JuliaM-JuliaS-Samara [Zeus]
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnS283cEFQVWVmc1E/view?usp=sharing

6EF_Guilherme-Lucas-Madu-Marina-Vitoria [Hermes]
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnZE1lbU9GMmRlWUE/view?usp=sharing

6EF_Giovanna-Heitor-Laura-Maria Luiza [Calipso]
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnSzVuRXJWVG5nLXM/view?usp=sharing

6EF_Felipe-Igor-Luiz-ViniciusCosta [Helios]
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnUkN0RG9nMVVsSG8/view?usp=sharing

7EF
Mohamed: blogs

7EF A
Alice, Luíza, Sérgio: http://kaxorroloko605.wix.com/uma-tragedia
Gabriel C., Giovanna, Maysa: http://guerrasdoafeganista.blogspot.com.br/
Gabriel M., Gustavo, Letícia: http://irracionalidadedaguerra.blogspot.com.br/
Gabrieli, Maria Clara, Lui: http://noticiamohamednd.blogspot.com.br/
Heloísa, Joana, Yuji: http://guerraafega.blogspot.com.br/
Kauan, Lorena, Luccas: http://guerradoafeganistao.blogspot.com/

7EF B
Adrielle, Caio Diniz, Gabriel, Roberta: http://omeninoeaguerra.blogspot.com.br/
Beatriz, Giovanna, Pedro, Rafaela: http://rivalidadereligiosa.blogspot.com.br/
Caio Del Nery, Claudia, Isabella, Pietro, Victor: http://ocaminhaparaaguerra.blogspot.com.br/
Carolina, Fernanda, Rafael, Vinícius: http://guerrablogs.blogspot.com.br/


8EF
Frankenstein: roteiros teatrais

8EF_Andre-Bruna-Cesar-Davi-Jade
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnTnYtX1FPV3FZOEU/view?usp=sharing

8EF_Camila-Cecilia-Gustavo-Santiago-Vinicius Mello
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnMTNfQUlRU2EyUzA/view?usp=sharing

8EF_Carolina-Gabriella-Tatiana-Teodoro-Vinicius Silva
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnaDl0RnBXZlpuQms/view?usp=sharing

8EF_Diogo Bonilha-Guilherme-Lucas-Maria Fernanda-Nicoli
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnU0NTaFRibEE3MjA/view?usp=sharing

8EF_Diogo Madeira-Eduardo-Giovanna-Maria-Yasmin
https://drive.google.com/file/d/0B2qp9dfYdupnRmRBYzFNbmpKMEU/view?usp=sharing

segunda-feira, 8 de junho de 2015

6EF a 9EF: Projeto escrito para a Olimpíada Unesco (fase 1: fundamentação teórica)

O projeto escrito antecede a ação que cada grupo pretende realizar na Olimpíada Unesco 2015. Nele são apontados o tema, as justificativas para tratar desse tema e executar a ação pretendida, as ideias em que se baseia essa ação, o modo como a ação será posta em prática.
A seção do projeto escrito em que aparecem as ideias em que se baseia a ação pretendida se chama fundamentação teórica. Para redigi-la, lemos textos de diferentes autores e reunimos em nosso próprio texto os conceitos mais relevantes a respeito dos assuntos gerais e específicos implicados no projeto.
No projeto para a Olimpíada Unesco, a fundamentação deve ter no mínimo 3 (três) e no máximo 5 (cinco páginas).
Escrevam o texto no Word, em página de formato A4, com margens superior e esquerda de 3 cm cada, e inferior e direita de 2 cm cada. A letra deve ser Arial ou Times New Roman, corpo 12, espaço entre linhas 1,5, alinhamento justificado. Se nenhum dos integrantes do grupo souber como usar essas formatações, o professor ajudará.
Salvem o arquivo com um nome semelhante a este: 6EF_Unesco_Joao-Jose-Maria-Pedro (disponham os nomes dos integrantes em ordem alfabética; se houver nomes repetidos na turma, acrescentem uma letra ou palavra para distinguir).
Gravem o arquivo no pendrive e, por segurança, mandem por e-mail para um ou mais integrantes do grupo.

Roteiro de produção
Para produzir a fundamentação teórica em grupo, são necessários estes passos:
  1. busca de diferentes fontes em que se fale dos assuntos relacionados ao tema do trabalho (são possíveis fontes: livros, revistas especializadas, artigos publicados on-line, monografias, dissertações, teses);
  2. seleção, entre as fontes encontradas, das mais úteis ao trabalho;
  3. leitura e fichamento (resumo, anotação dos pontos-chave) desses textos, preservando sempre a indicação bibliográfica da fonte consultada;
  4. digitação dos fichamentos e das indicações bibliográficas (referências), visando seu aproveitamento no texto da fundamentação; cada integrante do grupo deve trazer sua parte em pendrive ou arquivo anexo ao e-mail;
  5. partilha dos fichamentos, para decisão, em grupo, do que será aproveitado e da ordem de uso dos conteúdos;
  6. articulação do texto, para que não seja uma espécie de colagem de vários pedaços sem ligação;
  7. revisão, para que o texto final seja coeso e coerente;
  8. revisão das referências, que devem ser completas e dispostas em ordem alfabética do sobrenome do autor.

Modo de citar as fontes consultadas
Ao escrever o texto, há uma forma bastante usada para apontar a fonte de onde foram extraídas as informações. É o chamado sistema autor-data, em que se indica o sobrenome do autor e o ano em que o texto foi publicado. Exemplos:
  • Segundo Silva e Domingues (2008), a facilidade para acessar diferentes assuntos por meio da internet tem tornado o plágio — reprodução indevida de textos alheios — um grande problema nas instituições de ensino.

ou
  • A facilidade para acessar diferentes assuntos por meio da internet tem tornado o plágio — reprodução indevida de textos alheios — um grande problema nas instituições de ensino (SILVA; DOMINGUES, 2008).

Na seção “referências”, ao final do projeto, aparecerão as indicações bibliográficas completas. No caso do exemplo dado, elas seriam:
  • SILVA, A. K. L.; DOMINGUES, M. J. C. S. Plágio no meio acadêmico: de que forma alunos de pós-graduação compreendem o tema. Perspectivas Contemporâneas: revista eletrônica de ciências sociais aplicadas, Campo Mourão, v. 3, n. 2, p. 117-135, ago./dez. 2008. Disponível em: <http://www.revista.grupointegrado.br/revista/index.php/perspectivascontemporaneas/article/view/448/247>. Acesso em: 8 jun. 2015.

Percebam que os detalhes das citações e referências são padronizados: usam-se maiúsculas só na inicial, quando o nome do autor vem fora do parêntese; todas as letras são maiúsculas quando esses nomes aparecem dentro do parêntese; nas referências, o uso da pontuação é sempre o mesmo e, quando se usa um texto publicado na internet, sempre são indicados o endereço (http...) e a data de acesso. Mesmo que vocês não aprendam agora todas as regras, pensem que conhecê-las será importante quando estiverem na universidade e também em estudos que fizerem depois.

Citações indiretas e diretas
O mais comum e recomendado no texto da fundamentação teórica é reescrever as ideias lidas com as nossas palavras. Isso se chama citação indireta. Exemplo:
  • Segundo Silva e Domingues (2008), a facilidade para acessar diferentes assuntos por meio da internet tem tornado o plágio — reprodução indevida de textos alheios — um grande problema nas instituições de ensino.

Em alguns casos, porém, podemos achar necessário usar as próprias palavras do autor lido, porque ele dá uma definição muito boa e difícil de reescrever, por exemplo. Nesse caso, faremos uma citação direta, que deve aparecer entre aspas. Exemplo:
  • “Com o advento da Internet e da facilidade de acesso a bancos de dados dos mais variados assuntos, o plágio está se tornando um grande problema, principalmente, no meio acadêmico” (SILVA; DOMINGUES, 2008, p. 118).

Texto bem construído
Vocês produzirão a fundamentação teórica como um texto pelo qual qualquer leitor poderia conhecer melhor o assunto tratado. Para que isso seja possível, o texto deve ter uma lógica.
Normalmente, divide-se o texto em blocos de assuntos, mesmo que eles não sejam separados por títulos. Não há um padrão, mas para cada assunto três ou quatro parágrafos podem bastar.
É bom começar pelo conceito e depois completar o texto com informações e explicações. Exemplo:
  • Não é de hoje que o ato de copiar ou de se apropriar indevidamente de obras intelectuais vem acontecendo. O plágio existe desde o início da literatura, mas só recebeu a devida atenção quando a “usurpação literária” começou a gerar prejuízos econômicos aos autores. Os plagiários publicavam livros utilizando-se do conteúdo intelectual de outros autores, tornando o plágio uma atividade econômica propriamente dita (GOMES, 1985).

No começo do texto, o autor define plágio (“o ato de copiar ou de se apropriar indevidamente de obras intelectuais”). Em seguida, acrescenta a informação de que o plágio se tornou preocupante quando começou a prejudicar economicamente os autores. Logo depois, ele aprofunda a informação, explicando de que forma esse prejuízo acontecia: livros inteiros eram publicados com cópias, e o dinheiro ia para quem copia e não para os verdadeiros autores das ideias. Para terminar, o autor cita a fonte dos conteúdos que ele usou para escrever o parágrafo: (GOMES, 1985).